segunda-feira, 25 de outubro de 2010

eu e o destino

Era dia qualquer,
qualquer hora,
qualquer céu nublado.

Eu percorria todas a encruzilhadas, trocava com o asfalto a pressa que sentia pela hora do acaso.
E, na esquina que não dobrei, meu amor lá estava, sorridente, com as mãos vazias, à deriva, em pleno ar, como que se preparasse para um abraço. QUE TOLO! Ele estava só.
Tomei meu caminho, na sombra das árvores peroladas, meu peito, tão leve, sentia a brisa lamber-me a face e palpitava, pedindo fogo ao invés de ar.

Quatro horas da tarde e meu amor está do outro lado da rua, pena que não consigo tirar os olhos
das vitrines, tirar os olhos do chão tropeçante e do céu feito de pipas. Mais uma vez nossos caminhos se cruzam, sem nossos olhos se cruzarem, tem só o perto, sem ao menos o eterno se impor aos mínimos detalhes.

Não sei quando e como, mas enfim percebi, meu amor me seguia para o encontro e despedida, pois, na esquina em que eu me ia, meu bem parou, aliás, foi parado. morreu de bala perdida e, assim, não se fez amor.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

uma e quarenta.

- Fala agora, temos até a meia noite.
- Nos resta um minuto.

Todo esse tempo meu coração palpitou a tua presença,
seus ruídos, seu hálito, tudo o que eu ainda não senti.
a sua presença me vem em data e hora marcada, é a maneira mais
fácil do meu corpo sentir teu olhar,teu ludibriante olhar.
mas cala nesse segundo, cala-te. preciso desse momento pra gritar
ao meu vento amigo o quanto eu preciso te ouvir falar. sussurra em mim, apenas em mim.
se encoste em mim, quero a suas costas nas minhas, preciso sentir sua respiração, seu calor,
preciso desse instante de coragem, alcançar teu peito, meu.
amor, não me deixe cair entre o toque e o objeto, não pretendo me congelar na tua imagem amarela.
não pretendo viver de ilusão, enquanto isso, guarde todo o seu amor.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

conte até dez

mas pode ser fácil, se a hora do impulso não for a hora do fracasso.


------------- tudo pode ser fácil,
pulso ao pulso no mesmo enlaço.



------------------------inclusive o cinismo, que tempera o sarcasmo

quinta-feira, 15 de julho de 2010

desabafo

o medo não consta no meu confessionário.

domingo, 20 de junho de 2010

grito

minha proposta ao tédio: apaixonar.
paixão é o dom de se encantar e desse encanto eu entendo,
por mais que o medo impeça.
meu medo é quando a poesia possa ser questionada,
quando o fio da minha figura possa ser destroçada,
e eu me estrago e eu me nego, de peito aberto, um grito ao fim.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A cor dourada

madimoseli é bela menina.
podia ser ruiva, madimoseli. não é.
podia ser sã. não.

podia escrever palavras com mil acentos, mil lágrimas, mil fins. ainda não.
pode voar, mas, naturalmente, poupa seu fôlego diariamente. nada de voos rasantes,
voar é a arte do distante, voar é ter pra onde fugir.
mas pinga chuva no coração de madimoseli, pra resfriar tal coração tão quente,
que em meio a larva dos ferventes, se lava em água a amolecer.

ela fala em francês, madimoseli. me pergunta a cor do meu sorriso.
antes que eu responda, pergunta-me a cor do carrossel. - DOURADO, eu diria
se não fosse a falta de euforia, alcançar madimoseli.

domingo, 13 de junho de 2010

cigarettes and chocolate milk



um clipe bem fácil,

primeiro teria uma rua asfaltada, pequena, aliás, bem pequena. Rua de um cenário infantil.
seria noite e um poste( também pequeno) iluminaria uma parte da rua, um círculo, como em um
palco de teatro. luz não muito forte.
Depois ela traria, a passos rápidos, uma mesinha de jardim, branquinha e a colocaria bem no centro da rua. Nada de medo de carros.
Pra acompanhar, ela traria uma cadeira, depois uma caneca preta com chocolate branco e se sentaria.
mas, peraí ! Ela esqueceu o cigarro! Ela, então, se levanta, sai e volta com seu cigarro.
uum. cadê o isqueiro ? E lá vem ela, mais uma vez, trazendo o seu isqueiro em forma de arma (vem fantasiada de cowboy). Senta e, ao tentar acender seu cigarro, gotas de chuva caem.
Nada de raiva! Ela põe um guarda-chuva amarelo sobre a mesa. um suspiro de alivio.
Leva o cigarro a boca e o acende. Uma fumaça prateada sobe, fazendo malabarismos e contorcionismos. foco apenas na fumaça. Quando o foco volta pra ela, ela está lendo um livro de capa marrom, cheio de figurinhas, que acabam saindo do livro. que tal um monte de flores de cores bem vivas nascendo ao seu redor, no asfalto. E, do livro, estrelas saem e fingem ser brincos e colar dela. Ela ri com dentes de estrelas. agora um espelho e uma escova saem do livro,
ela está com cabelo estilo anos 60, se olha e se penteia e, enquanto se penteia, a cada vez que ela pisca os olhos, ela muda de roupa e de penteado, até voltar a roupa do início. ela leva o cigarro a boca mais uma vez.